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    Novo Poema: Manifesto

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    sdagoberto
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    Poema Novo Poema: Manifesto

    Mensagem  sdagoberto em Qui 02 Jun 2011, 10:58

    MANIFESTO

    PARTE I
    Spoiler:
    PARTE I

    com os olhos fixos
    postos na longe linha do horizonte,
    eu vejo e ouço e sinto,
    quer o violento rufar dos tambores,
    quer o delicado harmoniar dos trompetes.
    representantes das mortas eras,
    eis, à vossa frente, o poder da nossa marcha,
    eis, à vossa frente, a omnipotência da nossa voz,
    da voz do povo renegado.
    nem mesmo a forca nos conseguirá calar,
    porque se um de nós morrer,
    um outro, ainda mais louco, se erguerá.
    lutemos, camaradas! lutemos
    pela nossa liberdade, pela nossa igualdade,
    pela nossa fraternidade, enfim…
    pela nossa muito amada dignidade.

    PARTE II
    Spoiler:
    PARTE II

    com os olhos fixos
    postos na longe linha do horizonte,
    eu vejo e ouço e sinto
    o lento aproximar da marcha popular.
    porque a luta é alegria,
    porque o sonho é grande,
    porque a esperança é a última a morrer,
    amigos, camaradas, lutemos!
    não com a violência das armas,
    mas sim com a sensatez das palavras.
    talvez assim… um dia, todos nós possamos
    apreciar o derradeiro milagre,
    que é a nossa liberdade.

    a marcha aproximava-se cada vez mais de mim.
    os tambores rufavam como feras a rugir,
    os trompetes harmoniavam histéricos de tanta alegria.
    a liderar a marcha encontrava-se o ninguém.
    o ninguém?! sim, o ninguém, porque ninguém
    tem o direito de mandar noutra pessoa,
    a não ser a própria pessoa em si mesma.
    todos os que na luta marchavam,
    de livre vontade o faziam.
    nos seus humanos corpos,
    apenas o sonho lhes pesava.

    que sonho era esse,
    que tanto lhes pesava?
    era o sonho de um amanhã melhor,
    de um futuro novo e glorioso.
    era o sonho de um dia poderem regressar à natureza,
    longe da civilização de betão por nós erguida.
    ruas, estradas, prédios, rotinas, trabalhos, hierarquias,
    para que precisamos nós de tudo isso?
    dinheiro, dinheiro e ainda mais dinheiro,
    quantas vezes já não nos fizestes sofrer?
    pátrias, nacionalismos, fronteiras, guerras,
    que tudo isso caia, de uma vez por todas,
    no mais profundo dos esquecimentos.
    grande, é o nosso sonho!
    imortal, é a nossa esperança!

    quantos de vós, novos ou velhos,
    pretos ou brancos, gays ou não,
    ricos ou pobres, eficientes ou não,
    quantos de vós não gostariam de se verem livres
    desta oligarquia pseudo-intelectual?
    destes políticos incompetentes?
    deste corrupto capitalismo arcaico?
    de serem tratados de forma igual?
    de serem respeitados pelos outros?
    lutem pela vossa dignidade!
    lutem pelo vosso futuro!
    lutem, para que, em vez de ignorância,
    haja compreensão e luz na escuridão!
    lutem pela paz que tanto desejam!
    lutem! e o sonho tornar-se-á em realidade.
    se loucos vos chamarem,
    loucos deverão continuar a ser,
    pois só da loucura e do sonho,
    é que se fazem aqueles que desejam
    mudar o mundo para melhor.

    PARTE III
    Spoiler:
    PARTE III

    com os olhos fixos
    postos na longe linha do horizonte,
    eu vejo e ouço e sinto
    o que ainda está para acontecer.
    de cada cave fizeram uma prisão,
    de cada árvore antiga, uma forca.
    o rugir dos tambores foi-se
    tornando cada vez mais manso.
    os trompetes, já mal se ouviam.
    os homens haviam sido esquartejados.
    as mulheres, violadas sem dó nem pena.
    as crianças, espezinhadas até à morte.
    a noite cheirava agora a carne assada.
    fora da grande fogueira, apenas um
    pequeno colar da paz em prata havia sobrevivido.
    encontrava-se agora, levemente
    pousado sobre a fresca erva
    tingida de vermelho.

    PARTE IV
    Spoiler:
    PARTE IV

    com os olhos fixos
    postos na longe linha do horizonte,
    eu vejo e ouço e sinto
    a melancólica solidão do sol.
    como é bela a estrela que nos ilumina.
    como é bela a força que nos une.
    como é bela a sombra das árvores
    e o canto dos grilos e das cigarras.
    a vida é uma flor, é bela e frágil.
    a câmera lenta havia sido activada.
    a alegre marcha popular passava agora,
    mesmo diante dos meus olhos.

    angelical e extrovertido,
    de longo cabelo loiro e de olhos azuis,
    assim era o pequeno trompetista
    com quase treze anos de idade.
    havia participado na marcha por ser gay.
    os seus pais haviam-no expulso de casa,
    e como se isso ainda não fosse o suficiente,
    este também era severamente maltratado na escola,
    tanto pelos falsos professores hipócritas,
    escravos do sistema que eles próprios tinham ajudado a erguer,
    como pelos colegas mentalmente lavados.
    na sua inocência há já muito perdida,
    apenas os sermões e os insultos do pai,
    lhe pareciam mais reais e mais assustadores,
    do que qualquer outra coisa,
    que ele alguma vez pudesse sequer imaginar.
    mais vale ter-te morto do que te ver gay!
    assim lhe diziam, constantemente, o pai e a mãe.

    não eram apenas os gays,
    também na marcha se encontravam os pretos,
    vítimas do ultra-nacionalismo branco.
    qual o porquê, de se renegar as pessoas pela cor da pele?
    qual o porquê, do desejo de se criar uma raça pura?
    vós, representantes das mortas eras,
    que obcecados vivem com o vosso poder e domínio,
    abram bem os vossos olhos! afinal…
    o que é feito do vosso bom senso?
    ahhh, pois, esqueci-me,
    vocês, animais, não o têm.

    e como quem diz os gays e os pretos,
    também diz todos os outros que na marcha participavam:
    alegres pessoas que apenas sonhavam com um futuro melhor.
    estariam elas porventura a pedir-nos muito?

    a marcha continuava,
    forte e indestrutível como um bloco.
    os tambores rufavam como feras a rugir,
    os trompetes harmoniavam histéricos de tanta alegria.
    eis, à vossa frente, o poder da marcha da geração à rasca,
    eis, à vossa frente, a omnipotência de uma nova voz,
    da voz de um povo renegado e maltratado.
    nem mesmo a forca, os conseguiria calar!

    mal sabiam eles, do que ainda estava para vir.

    PARTE V
    Spoiler:
    PARTE V

    com os olhos fixos
    postos na longe linha do horizonte,
    eu vejo e ouço e sinto
    a mansão do governador.
    dá-me nojo até só de pensar nisso.
    tantas vidas inocentes que ele já ceifou!
    tanto dinheiro que ele já gastou!
    mas afinal… que autoridade tem ele?
    quem o nomeou para governador?
    de quem será a culpa?

    silêncio…
    o nascimento da resposta.

    a culpa! sim, a culpa…
    a culpa sempre foi nossa!
    somos nós, o povo na sua totalidade,
    que se deixa seduzir por falinhas mansas,
    por joguinhos de palavrinhas bonitas,
    por fatinhos da imporio armani,
    por encenações baratas,
    por quase tudo aquilo que nos aparece à frente,
    que a comunicação social nos tenta fazer engolir!
    se fomos nós, o povo, que o fizemos vitorioso,
    seremos nós, o povo, que o faremos morto!

    o governador a defecar,
    o governador a bater à punheta,
    o governador a transar com a mulher,
    o governador a trair a mulher com a amante,
    o governador a usurpar dinheiro ao estado,
    o governador a chantagear uns políticos quaisquer,
    o governador a comprar submarinos sem razão aparente,
    o governador a assinar a pena de morte de uns quaisquer infelizes,
    o governador a ler livros sem interesse,
    o governador a ler revistas cor-de-rosa (também sem interesse),
    o governador a jogar xadrez sozinho,
    o governador a jogar xadrez com a mulher,
    o governador a jogar xadrez com a amante,
    o governador a jogar xadrez com a filha da amante,
    o governador a censurar bons livros,
    o governador a censurar boas revistas,
    o governador a escrever poemas armado em poeta,
    o governador a assinar a pena de morte de alguns poetas,
    o governador a escrever músicas armado em músico,
    o governador a assinar a pena de morte de alguns músicos,
    o governador a bocejar,
    o governador a dormir,
    o governador a acordar,
    o governador para a direita,
    o governador para a esquerda,
    o governador para ali,
    o governador para acolá.
    eis, a vida de um governador.
    eis, novamente, o governador a defecar,
    eis, uma vez mais, o governador a vomitar,
    eis, agora, a segurança nacional em perigo,
    eis, o governador com os seus seis guarda-costas,
    eis, o governador no seu hospital privado,
    eis, o governador na sua mansão,
    eis, o governador na sua cama a trair a mulher,
    eis, o governador com falta de potência,
    eis, o governador com o seu pequeno biberão seco,
    e mesmo que o tivesse cheio,
    não tenham dúvidas de que seria azedo.
    eis, o senhor governador…

    be bop be bop be bop be bop be bop be bop,
    be bop be bop be bop be bop be bop be bop,
    be bop be bop be bop be bop be bop be bop,
    be bop be bop be bop be bop be bop be bop,
    be bop be bop be bop be bop be bop be bop,
    be bop be bop be bop be bop be bop be bop.

    a marcha havia chegado ao buraco dos ouvidos do governador.
    agora… já nada, a podia salvar.

    as feras de metal haviam sido soltas.
    com os seus enormes focinhos horripilantes,
    estas puseram-se, desde logo, a cheirar carne humana,
    quase como quem cheira cola de sapateiro todos os dias.
    o tempo… se é que agora o havia, escaceava.
    as flores já começavam a chorar pelas suas pétalas.

    PARTE VI
    Spoiler:
    PARTE VI

    com os olhos fixos
    postos na longe linha do horizonte,
    eu vejo e ouço e sinto…
    porque escrevo eu o que escrevo?
    talvez, porque precisemos de esperança.
    talvez, porque o mundo pudesse ser um lugar melhor.
    eu sonho, e não só sonho,
    como também desejo poder ver ainda um dia destes,
    uma irmandade de cidadãos livres, iguais, fraternos e dignos.
    para que precisamos nós de pátrias e de nações?
    abramos todas as fronteiras do mundo,
    sejamos cidadãos do universo,
    não da pátria, nem da nação!
    em vez de dinheiro e de ganância,
    vivamos todos sem trabalho nem preocupações.
    dancemos, antes, à volta da fogueira,
    embalados pelo simples som da alegre música.
    não! não me dêem teorias! nem leis! nem deuses!
    que caiam todas essas autoridades!
    e todas essas oligarquias mimadas!
    e todos esses governadores corruptos!
    eu apenas desejo paz e mudança.
    eu apenas desejo poder ver o poder do povo em acção.
    custa muito pedir-vos isso?
    se um sonho for sonhado por um, é uma ilusão;
    se for sonhado por dez, uma possibilidade;
    se for sonhado por cem, uma esperança;
    se for sonhado por mil, uma certeza;
    se for por todos, uma realidade.
    amigos, camaradas,
    nem mesmo a forca nos conseguirá calar,
    e de muito pouco lhes servirão as feras de metal,
    porque se um de nós morrer,
    um outro, ainda mais louco, se erguerá.
    que o poder do versilibrismo nos ajude!
    que o poder da poesia esteja connosco!
    camaradas, o que nós carregamos aos ombros,
    é muito mais do que apenas um sonho,
    é uma ideia!
    e as ideias não podem ser presas,
    nem sangram, nem morrem!
    as ideias são imortais!

    PARTE VII
    Spoiler:
    PARTE VII

    com os olhos fixos
    postos na longe linha do horizonte,
    eu vejo e ouço e sinto
    o aproximar das feras de metal.
    a grama grita de tão calcada que é;
    as pétalas caem das flores de tanto chorar;
    até por detrás das nuvens,
    o ardente fogo do sol se esconde,
    de tanto medo que tem de ver a terra tingida.

    do outro lado da linha do horizonte,
    o bloco revolucionário continuava como se nada houvesse.
    estavam-se a defecar para o que se estava a acontecer.
    medo?! uma ideia não pode ter medo,
    não quando confrontada com a razão pela qual nasceu.
    avançam as feras de metal!
    avança o bloco revolucionário!
    eu até podia ter escrito um final feliz para este poema,
    mas decidi não o fazer. porquê? perguntam-me vocês.
    porque a vida não é assim tão feliz.

    juntos, ninguém nos conseguirá derrotar!
    vocês podem-nos chamar de lixo do pior que há!
    mas fiquem sabendo que nós: gays, pretos,
    drogados, prostitutas, poetas, músicos, filósofos,
    deficientes, artistas – fiquem sabendo que nós,
    mesmo desarmados, nós, somos, muitos!
    essa vossa bandeira, símbolo da corrupção,
    a nós já não nos diz nada!
    a pátria que nós antes amávamos
    e que pensávamos ser nossa amiga,
    abandonou-nos!
    o que nos irão fazer?! ralar-nos?!!
    seus covardes de meia-leca,
    respondam-nos como homens que são!
    se nos querem tanto matar,
    que o façam já e rápido!

    até mesmo o silêncio se tinha calado ao ouvir estas palavras.

    era dita a última palavra, e já o vento fugia a sete pés,
    completamente embriagado em medo do mais puro que havia,
    enrolava-se agora violentamente, numa enorme espiral,
    e a espiral girava e girava e parecia não querer parar de girar.
    já quase se avistava um tornado a caminho.

    eis, que de uma das feras de metal
    havia saído um soldado de rosto severo.
    empunhando a sua arma na mão,
    este deixa-a cair sobre a grama.

    eu cá não vou matar indefesos!
    disse ele, impondo a sua voz.

    pum! menos um.

    milhares de gotículas de sangue viajavam pelo ar,
    quase como se fossem espermatozóides apressados,
    assustados de poderem chegar atrasados aos óvulos.
    havia-se explodido assim, o rosto do nobre soldado.
    caía, agora, o seu corpo musculado.
    caía, também, a sua cigarreira.
    o massacre havia começado.

    as crianças, as mulheres, os homens,
    juntos, todos lutavam lado a lado sem distinções.
    os gritos de guerra, as explosões constantes, os sons das lágrimas a cair,
    tudo se compunha quase como se fosse uma estranha música de jazz.
    a cor… que cor? tudo se tingia de vermelho.
    de cada cave fizeram uma prisão,
    de cada árvore antiga, uma forca.
    o rugir dos tambores foi-se
    tornando cada vez mais manso.
    os trompetes, já mal se ouviam.
    os homens haviam sido esquartejados.
    as mulheres, violadas sem dó nem pena.
    as crianças, espezinhadas até à morte.
    na atmosfera, apenas se ouvia
    uma completa boemicidade
    de gemidos orgásmicos e de dor.
    excitavam-se as mulheres violadas,
    excitavam-se os soldados que as violavam,
    excitavam-se os soldados que se divertiam
    a esquartejar em filetes os homens,
    excitavam-se os soldados ao violar as crianças,
    divertiam-se em espezinhá-las,
    em rachar-lhes os crânios,
    em violá-las quando estas já estavam mortas,
    excitava-se o governador no seu grande trono com tudo isto,
    azedando cada vez mais, o seu pouco leite que ainda tinha.

    PARTE VIII
    Spoiler:
    PARTE VIII

    com os olhos fixos
    postos na longe linha do horizonte,
    eu vejo e ouço e sinto
    o que à minha volta se havia passado.
    como pode a mente do homem ser tão obscura?
    como pode o homem ser tão violento ao ponto de chegar a isto?
    agora, já não havia nem tambores, nem trompetes,
    já não havia nem música, nem danças, nem alegria,
    nem tão pouco esperança.
    esperança… que sentimento esse tão longínquo,
    tão longínquo quanto a própria linha do horizonte.
    os joguetes que antes possuíam vida,
    queimados eram agora na fogueira.
    a noite cheirava agora a carne assada.
    ninguém havia conseguido escapar à ira do governador,
    nem mesmo o pequeno trompetista
    com quase treze anos de idade.
    afinal, o colar da paz sempre era dele.
    será isto o fim da luta?
    será isto o fim de um sonho?
    os tambores e os trompetes podem ter parado de tocar,
    no entanto, eu ainda os consigo ouvir…
    estão lá, algures dentro da minha mente.

    salvador dagoberto – 21:45 – 26-05-2011

    Espero que tenham gostado!

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