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    Conto, ainda sem nome (aceitando sugestões)

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    Everton
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    Outro Conto, ainda sem nome (aceitando sugestões)

    Mensagem  Everton em Dom 13 Fev 2011, 16:10

    E aí pessoal, este é o início de um conto que comecei escrever o ano passado e colocarei uma parte aqui para que olhem e digam o que acharam.

    Sem mais delongas, aí vai ele

    Prólogo
    Spoiler:
    PRÓLOGO
    Ajoelhando-se com a perna direita, com os olhos cheios d’água segurou o crucifixo apertando-o contra seu peito. A luz da lua cheia refletiu de forma sobrenatural no objeto enquanto o garoto sibilava uma prece. Suas feridas no braço direito e nas pernas o faziam delirar de dor, nada que já não tivesse suportado antes. Quase caindo para frente, com a franja tapando seu rosto, após a oração pediu desesperadamente:
    - Deus, por favor, perdoe-me pelo que irei fazer agora, mas de forma alguma me ajude. – Uma lágrima desprendeu-se de seu olho esquerdo ficando para trás enquanto correu no meio da multidão de encontro ao carrasco. As vozes das pessoas pareciam se misturar a ponto de não fazer sentido algum nada que dissessem. As paredes, a grama, as colunas, as pessoas e o céu pareciam se misturar em sua visão, distinguindo somente o sanguessuga e sua presa do restante.
    Deslocando seu corpo magro entre pilares e transeuntes como um espectro, saltou por sobre um cesto de lixo e pegou impulso com as pernas em uma coluna chegando até o homem de vestes vermelhas que carregava um sorriso debochado tanto para o garoto quanto para sua presa.
    Sem dizer uma só palavra o homem ergueu o braço direito de modo a preparar um ataque ao rapaz de preto. Antes do golpe, o garoto estendeu também seu braço direito, mas na direção do rosto do homem. Antes que os olhos da menina pudessem piscar o homem estava no chão, o garoto com a mão direita segurando firmemente seu rosto e o joelho esquerdo sobre a garganta. À medida que o medo tomava conta do coração da jovem o ódio preenchia a alma do rapaz, algo que a vermelhidão de seus olhos demonstrava claramente.
    - O... O que você é? O que fez a si mesmo? - Perguntou o homem apavorado por entre os dedos do rapaz.
    - Você não deveria ter feito essa pergunta, eu poderia tê-la respondido, e nem mesmo morto você teria paz. Não que você merecesse, mas isso não vem ao caso. Sua hora não chegou ainda, mas eu não me importo com isso... - Sibilou o garoto com calma enquanto posicionava sua mão esquerda disposta como uma garra na garganta do homem, pouco acima de onde a apertava com seu joelho. O homem não conseguiu resistir e mostrou seus caninos pontiagudos tentando gritar. Suas unhas cresceram como garras de uma besta, porém tanto suas presas quanto suas garras não foram suficientes para livrá-lo do aparentemente inevitável.
    A garota deixou que seus cabelos dourados caíssem sobre seu rosto para esconder as lágrimas que verteram sem cessar. A torrente de emoções que o momento a trouxe fez com que suas pernas não suportassem e ela caiu de joelhos, atônita. A linha de sangue que cruzou diagonalmente contrastava drasticamente com o brilho da lua cheia refletido em seu vestido branco e turquesa.
    Virando-se de frente para a menina em prantos, o temor outrora nela era aparente em sua face agora marcada pelo álibi do homicídio. Ainda com os olhos vermelhos, mas agora arregalados, as pontadas nos braços e pernas o faziam lembrar-se do atropelamento, e ainda assim, não se desconcentrava a ponto de tirar sua atenção do que acabara de fazer a aquela criança. Sentindo o peso e a dor do remorso maior do que as escoriações do acidente que sofrera há pouco, soltou um urro desesperado, tão alto que foi capaz de chamar a atenção dos transeuntes que até então não davam a mínima para o que acontecia. Cravou os cinco dedos da mão direita em seu peito tentando trazer a si mesmo o destino que acabara de impor ao homem de vermelho, sem sucesso, mas tudo foi parecendo mais confuso a cada segundo.
    Abriu os olhos, enxergou uma parede branca, suas pernas e seu braço direito pareciam ter adormecido. Olhou para os lados e viu tudo um pouco embaçado. Esfregou os olhos com a mão esquerda enquanto o braço direito e suas pernas, formigando, iam recuperando os movimentos. Do lado esquerdo uma parede salmão e uma persiana de metal, de um vermelho escuro, aberta de onde entrava a luz do sol do meio dia. Do lado direito a porta de mogno com alguns enfeites natalinos encostada, e a esquerda dela o guarda roupas pequeno também mogno. No lado do pé da cama, uma cômoda bege de cinco gavetas com uma TV de 20’ preta um pouco empoeirada sobre ela. Voltou a olhar para o teto do quarto e reparou na lâmpada queimada dentro do globo. Finalmente desprendeu-se do pesadelo que o incomodava por anos e reconheceu seu quarto. Sentou-se na cama de solteiro ainda fazendo cara de dor devido ao formigamento das pernas e do braço direito, estava sem camisa e com um short pequeno.

    Capítulo I
    Spoiler:
    CAPÍTULO I – O QUE EU ME TORNEI
    Caminhou cambaleando para o corredor que levava até o banheiro e observou a porta ao lado do seu quarto, a do quarto de seus pais, aberta e então lembrou que viajaram com sua irmã mais nova e estava só em casa. Deu um suspiro como que se encorajando para enfrentar o dia e voltou a rumar para o banheiro. Para sua surpresa, no espelho da pia, observou um rosto magro, pálido, com olheiras enormes, embora sutis, cabelos castanhos claros sem um corte definido, lisos, na altura do pescoço, embora tivesse acabado de acordar parecia que havia ficado penteando-o há horas. Esse era seu rosto, mas achava estranho como não o era capaz de reconhecer sempre que acordava do mesmo pesadelo que acabara de acordar.
    O banheiro era grande, pisos claros com detalhes em um marrom claro e azulejos brancos. Além das duas lâmpadas, uma no teto e outra ao lado do espelho, da janela em frente ao chuveiro, do lado de dentro do Box fumê, entrava uma claridade considerável devido ao poço de luz. Tanta iluminação às vezes o deixava incomodado, o que não era o caso. Ao abrir o chuveiro uma imagem assustadora veio à sua mente. Ficou paralisado. Sentiu cada gota de água que tocava sua pele como ácido. Não conseguiu sequer gritar. Já ajoelhado agarrou os ombros com tamanha força que ouviu seus ossos estralando. Tentou de alguma forma não acreditar que era verdade, mas se fosse realmente outro pesadelo essa seria a primeira vez que o estava tendo. A água no chão do banheiro já estava um pouco avermelhada e o garoto sentiu o cheiro forte de sangue, provavelmente o seu. Em um momento de desespero soltou os ombros, abriu o Box e, já do lado de fora se enrolou em uma toalha tentando se acalmar.
    Momentos depois, um pouco mais calmo, vestido com uma calça jeans e de sandália, conferiu suas costas no espelho do corredor e se assustou novamente. Estava todo machucado de fato, como se a água tivesse mesmo corroído sua pele. Um pouco atordoado, correu para a pia da cozinha, por sua vez não muito grande, abriu a torneira e colocou sua mão direita sob a água a fim de fazer um teste. Poucos momentos suportou com a água em sua mão antes que começasse a doer, e como o tempo o fez se acostumar a suportar a dor, deixou mais um tempo e percebeu sua mão sendo corroída pela água. Mil besteiras passaram por sua cabeça, mas decidiu não fazer nada até que estivesse calmo. Sentou-se no sofá alaranjado de dois lugares da sala, o que ficava ao lado esquerdo da porta e de frente com a estante onde ficavam a TV grande, o rádio e os demais aparelhos. Olhando por sobre o sofá de três lugares, para a janela da frente da casa, tentava raciocinar o que poderia ter acontecido.
    Minutos depois o telefone tocou, rompendo o silêncio e o pensamento do garoto ainda deveras confuso. Levantou-se lentamente e caminhou até a estante para atendê-lo.
    - Alô - Disse o garoto com o telefone na mão antes mesmo de colocá-lo na orelha.
    - Ei cara, o que foi que houve? Esqueceu do “Churras”? A galera tá toda aqui em casa te esperando. E daqui a gente vai pro parque aquático com as meninas lembra? - Dizia a voz do outro lado da linha super animada, que o garoto já conseguia identificar. Era Thomas, seu amigo desde que tinham quatro anos de idade.
    - Murphy - Deixou escapar, o garoto, já pensando em uma boa desculpa, embora soubesse que não importaria o quão convincente fosse, seu amigo não iria acreditar.
    - Não entendi! - Exclamou Thomas com ar de curiosidade.
    - Olha Tom, é o seguinte, não vai dar pra eu ir, se ao menos eu soubesse explicar porque já estaria de bom tamanho. Me perdoe por essa, mas não vai dar. - Desabafou o rapaz sem ter idéia de como mentir.
    - Leon, você esperou seis meses pra hoje e ta dizendo que não vai? - Retrucou o amigo com voz alta e certa autoridade.
    - Tom, eu já disse, não vai dar e pronto, não sei o que houve e você sabe que se fosse qualquer coisa que eu soubesse lhe contaria, então, por favor, não insista!- Respondeu o rapaz também com a voz alterada tentando impor a mesma autoridade - E não me chame assim perto dos outros. As meninas estão aí? - Perguntou com a voz baixa novamente e com certa preocupação.
    - Não. Você sabe que só te chamo assim quando “to puto” com você! - Falou com a voz baixa também e com certo receio. - Mas você sabe que isso é uma puta mancada né? - Disse Thomas tentando uma última vez convencer o amigo.
    - Não, não é, e você irá descobrir isso logo, infelizmente. – Desabafou para o amigo com a voz ainda mais baixa. – Até logo, divirtam-se. – Despediu-se do amigo e desligou o telefone sem esperar resposta com um estranho arrependimento.
    Olhou em sua mão tão logo desligou o telefone e não havia mais sinal algum de ferimento. Espantado, correu para o corredor para conferir suas costas e também não havia mais sinal algum.
    - Mas será que eu estou ficando louco, droga? – Pensou alto enquanto se dirigia a pia do banheiro a fim de conferir novamente. Para sua tristeza, a água ainda o machucava, porém, após uma detalhada observação, notou que seus ferimentos se curavam com uma velocidade fora do normal.
    - Caramba, mas que criatura que se regenera e se machuca com água? – Se perguntava o garoto revirando em sua cabeça à procura de qualquer história que já tivesse ouvido, lido, assistido ou até mesmo criado, sem êxito.

    Capítulo II
    Spoiler:
    CAPÍTULO II – CONTE COMIGO
    Um pouco mais calmo, colocou uma roupa toda preta sem estampa, tênis também preto e decidiu dar uma volta. Após fechar toda a casa encarou o sol, que parecia o encarar de volta e revoltado por sinal, o que o fez titubear se seria uma boa idéia sair de preto naquele sol. Cruzou o quintal asfaltado e foi até a casa do cachorro acordá-lo. Um dálmata enorme e atlético, porém somente o tamanho do animal assustava, tinha olhos de quem não faria mal a uma mosca. Ainda do lado de dentro do quintal pensou se seria uma boa idéia sair, cogitava a possibilidade de uma chuva. Acabou por decidir ir de qualquer forma, fechou o portão e passou o cadeado rumando para um lado qualquer.
    A rua era praticamente plana, com casas de ambos os lados e alguns estabelecimentos comerciais pequenos. Assim como a sua, as demais casas pareciam muito mais bonitas por fora do que por dentro, porém as outras estavam cheias de pessoas, muitas delas crianças brincando no quintal. Andou a esmo até ver uma criança de cabelos dourados distraída com algumas bonecas. Ela estava com um vestido vermelho e rosa e uns enfeites de várias cores nos cabelos. O rapaz não se lembrava direito da menina de seu pesadelo, mas a semelhança parecia extremamente clara para ele. Ouvia alguém chamando a garota para dentro, uma voz masculina, outra lembrança de seu pesadelo, seu corpo ficou gelado, suas pernas não se moviam, suas mãos tremiam como se estivessem sendo eletrocutadas. Involuntariamente mostrou um semblante de espanto inegável.
    - Ah moleque, sabia que você ia mudar de idéia! – A voz do seu amigo quebrou a tensão da situação e ele conseguiu voltar a si.
    - N... Não... Tom... Olha... Eu não... – Tentava articular uma frase sem êxito encarando seu amigo. Thomas era um rapaz do mesmo porte físico dele, magro, de média estatura, mas tinha a pele parda. Seu rosto era largo e tinha cabelos curtos, loiros feito topete. Olhos claros como os do amigo, mas sem as olheiras. Embora fosse um rapaz que gostasse muito de sair, gostava também do descanso após a saída.
    - Sem desculpa! A propósito, não disse que você tem escolha. – Sorriu para o rapaz balançando as chaves do carro do seu pai, carro esse que ele queria há muito dirigir.
    - Ah, Tom! Isso é covardia meu! – Exclamou o rapaz abraçando o amigo às risadas.
    A casa de Thomas não era muito longe dali, ele havia trazido apenas as chaves para convencer o amigo, o carro ainda estava em sua casa. Foram a pé conversando sobre o churrasco e o programa no parque aquático logo depois, algo que poderia ser extremamente perigoso para o garoto, mas agora já estava decidido, não pensaria antes de nada acontecer.
    Quase chegando ao local onde estava acontecendo o churrasco Thomas se virou para o amigo e perguntou:
    - Mas e daí, porque você tava fazendo doce pra vir? – Sorriu enquanto finalmente dava as chaves do carro para o amigo.
    - Não sei nem por onde começar, e é capaz de nem dar tempo até chegarmos na sua casa. – Tentou disfarçar o rapaz estendendo o braço para pegar as chaves.
    - Nananinanão. Pode tratar de contar! – Exclamou Thomas puxando as chaves de volta e abandonando o sorriso.
    - Olha, eu sei que é inútil tentar mentir, mas eu não sei mesmo o que aconteceu. – Olhou para o chão e depois se virou de costas para o amigo. – Eu tive aquele bendito pesadelo de novo, e aconteceu tudo como das outras vezes, mas quando eu entrei no chuveiro pra tomar banho eu vi uma coisa estranha e a água me machuca como se fosse ácido. – Terminou a frase sem demonstrar nenhuma outra reação.
    - Como assim a água te machuca como se fosse ácido? – Perguntou aos gritos, totalmente incrédulo, puxando o rapaz para que se virasse de frente.
    - Para com isso Tom, eu to falando pra você isso, não pra todo mundo! – Advertiu o rapaz com a voz um pouco alterada já de frente com Thomas. – Vamos comigo ali na padaria rapidinho... – Disse enquanto caminhava na direção da padaria com certa pressa.
    Chegando à padaria, passando pela porta da esquerda, a que ficava mais próxima das geladeiras de bebidas, o jovem dirigiu-se até a geladeira do meio pegando uma garrafa pequena de água e, logo em seguida, dirigiu-se até o lado oposto, no balcão, por sua vez, a direita da porta da direita, cercado por três freezers de sorvetes. Thomas, enquanto escolhia um sorvete, parecia não entender o que o amigo pretendia, seguindo para a fila logo em seguida, sem dizer uma palavra.
    Do lado de fora da padaria, atrás da mureta lateral, na calçada, após observar se alguém estava passando por ali, o garoto abriu a garrafa d’água olhando nos olhos de Thomas.
    - Assim, acredito eu, é a melhor forma de te explicar... – Disse enquanto virava a garrafa derrubando água sobre a mão esquerda.
    - Olha aqui, ácido já teria derr... – Falou Thomas até ser interrompido pelo efeito que a água começava a causar na mão de seu amigo. Espantado, tentava articular alguma pergunta, mas não conseguia sequer proferir uma só palavra.
    - Mas olha só... – Olhando para o amigo e mostrando a mão sem derramar mais água, esperando que as feridas se fechassem. – Pelo menos algo de bom. – Sorriu de forma singela sem esconder a tristeza dos olhos.
    Thomas andava de um lado para o outro olhando para cima e para baixo o tempo todo, às vezes olhando para o amigo apontando a mão, mas não saia palavra alguma. O rapaz, por sua vez, estava estático segurando a garrafa d’água que continha pouco menos da metade ainda.
    - Leon, o que foi que você fez? Com quem se meteu? Você ta mexendo com bruxaria? – Olhando para o amigo ainda com cara de espanto, caminhando em sua direção.
    - Não. – Escorou o pé direito na mureta e ajeitou os cabelos para trás enquanto olhava para o céu. – Leonardo, por favor. – Sem alterar a expressão.
    - Ah, que seja. Tá. Precisamos dar um jeito nisso. – Sugeriu Thomas passando a mão direita sobre a cabeça delatando sua tensão. – Já pensou em alguma coisa? – Indagou Thomas, olhando para seu amigo com os olhos avermelhados.
    - Sim, não vou ficar prevendo minhas ações. Depende demais de como cada coisa vai acontecer. Nas horas em que eu precisar pensar em algo eu penso. – Voltou o rosto na direção de Thomas enquanto dizia como se tivesse acabado de tirar um fardo das costas.
    - É. Fazer o que né, seja lá o que for isso, conte comigo cara! – Abraçou o amigo e logo depois foram para o churrasco.

    Capítulo III
    Spoiler:
    CAPÍTULO III – CALOR
    Chegaram, ao churrasco, a casa lilás de Thomas era grande, ficava no fundo de uma data extensa. Na frente da casa, uma grande área coberta já repleta de mesas e à direita a grande churrasqueira. Em frente à parte coberta um comprido quintal gramado com três coqueiros à esquerda e à direita, em frente aos coqueiros, a piscina olímpica, sendo usada no momento para biribol. Tinha muitas pessoas. Muitas, inclusive, que o rapaz conhecia, o que era raro.
    Não demorou até que encontrasse as garotas nas quais seriam o principal motivo para o programa. Sentado em uma cadeira de plástico próxima à churrasqueira e encostada na parede da casa, de frente com parte da piscina, fitou uma garota em especial. A que, para o rapaz, era de fato muito especial. Logo a garota de corpo escultural, ainda mais atraente usando um biquíni laranja, percebeu os olhares dele e decidiu sair da piscina para conversar um pouco. Seu rosto tinha traços orientais, lábios carnudos, olhos negros e seu cabelo, embora liso, tinha um corte estranho todo repicado com mexas de diversas cores.
    Mal a garota se aproximou dele já puxou uma cadeira ao seu lado se levantando para cumprimentá-la.
    - Nossa. Que saúde. – Lisonjeou a garota enquanto a cumprimentava com um beijo no rosto e um abraço.
    - Ai seu chato. – Sorriu ficando vermelha de vergonha sentando-se sem tirar os olhos do rapaz. – E então, o Tom me disse que você não viria, fiquei até preocupada, você insistiu tanto pra que eu viesse, o que houve? – Indagou esboçando um sorriso.
    - Ainda bem que veio, sabe que é o principal motivo pra eu estar aqui não sabe? – Desconversou com uma pergunta enquanto se levantou. – Quer uma cerveja ou refrigerante? – Ainda sem tirar os olhos da garota ajeitou os cabelos para trás.
    - Uma água só. – Respondeu abaixando a cabeça sem tirar o sorriso do rosto. – Ah, aproveita e pega alguma coisa pra gente beliscar! – Sugeriu erguendo a cabeça com o sorriso um pouco mais suave.
    O rapaz trouxe a água para a garota sem tirar da cabeça a ironia do destino e foi direto para a mesa em frente à churrasqueira cortar algum pedaço de carne que já estivesse pronto para eles. Sem olhar, pegou os talheres mais próximos e começou a cortar alguns pedaços de carne que seu amigo estava retirando da grelha. Segundos depois percebeu a cara de espanto dos dois irmãos Sven que estavam à sua frente. Silvio era mais novo que os demais, menor também, bastante robusto, o rosto arredondado, cabelos negros bastante enrolados, olhos amendoados e pele negra. Estava vestido com uma regata branca e de bermuda florida. Seu irmão Lúcio, bem diferente, era alto, atlético, tinha o rosto quadrado, olhos azuis, cabelos loiros cacheados e pele alva. Ambos estavam boquiabertos olhando para o rapaz que cortava carne.
    Um pouco preocupado, olhou para a tábua de carne e, enfim, percebeu o porquê do espanto. Os talheres estavam vermelhos, escaldantes e ele não havia notado. Não sabia se ele havia os deixado desse jeito ou se apenas não havia percebido que pegou talheres aquecidos por sacanagem, o que lhe parecia mais provável vindo daqueles irmãos.
    Deu uma olhada em volta e notou que apenas os irmãos haviam visto. Levou os talheres até a pia e molhou para que voltassem ao normal. No caminho, pegou outros talheres a fim de conferir se era por causa dele que ficaram daquele jeito, e nesse tempo não ficaram. Ficou pensativo, mas decidiu conferir isso depois. Optou por aproveitar o churrasco até que decidissem ir para o tal parque aquático, quando teria que colocar toda sua capacidade de improvisação e criatividade a prova.
    Até o fim da tarde não saíram daquele lugar, ele e a garota conversando sobre todo tipo de assunto, parecendo mesmo se entender. Mesmo no calor que fazia e o rapaz vestido de preto e como estava, além de estar sentado ao lado da churrasqueira, não sentia calor, enquanto a garota falava do calor o tempo todo. Quando já havia escurecido um pouco a garota toca no assunto:
    - Leo, olha aqui, acho que o pessoal já ta indo pro parque, a noite é só nossa lá hoje. Você vai como? – Um pouco zonza devido às bebidas da tarde toda a garota convidou às risadas.
    - Com o carro do seu Sérgio. O Thomas me emprestou. Você vai no carro com a gente? – Levantando-se e ajudando a garota a se levantar.
    - Claro. Dirigir é que eu não vou nessa situação né! – Caiu na risada sendo sustentada pelo rapaz.
    Caminharam juntos até fora do quintal da casa rumo ao carro, encontrando-se com Thomas e as outras duas amigas no caminho, indo todos juntos até o carro.
    - Sara... Sara... Sara você vai na frente... vai na frente tá... – Dizia, entre os soluços, Thomas, após passar um pouco de seu limite, referindo-se à garota que acompanhava seu amigo, enquanto era carregado pelas outras duas garotas.
    - Tá bem, tá bem, entrem aí pessoal. – Orientou o garoto, enquanto desarmava o alarme do fusion preto estacionado há poucos metros deles.
    Ligou o carro e abriu o capô. Todos estavam esperando ansiosos dentro do carro quando ele saiu deixando a porta aberta. Deu a volta e foi até a frente do carro terminando de abrir. Pensou um pouco e olhou para os lados para conferir se ninguém estaria olhando. Colocou a mão no motor e deixou por um tempo. Não sentiu dor alguma. Sentia o calor extremo, mas aquilo não o machucava. Novamente pensativo, fechou o capô e voltou para o carro. Ligou o som e finalmente partiu para o parque aquático, animando o pessoal com a música que todos gostavam. Distraindo eles, o rapaz teria tempo para refletir.

    Bom gente, é isso aí

    Abraços e até mais...

      Data/hora atual: Seg 23 Abr 2018, 04:46