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    A Doce Teia da Aranha

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    RA(in) VampS
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    Conto A Doce Teia da Aranha

    Mensagem  RA(in) VampS em Qui 21 Abr 2011, 15:53

    Bem, essa é uma história que eu escrevi para uma antologia, mas não fui selecionado. Então,posto aqui para vocês. Link para download está no fim da página.
    ATENÇÃO!! Esta história contém conteúdo homossexual e é recomendado pra maiores de 18 anos. Se não gosta do tema, não leia.

    IMPORTANTE!
    Dou meus devidos créditos ao Moonday (Victor Henrique), por:
    -Permitir o uso de seu poema, "O Beijo do demônio";
    -permitir uso do título "Rainha de Barbária", e seus poderes, no qual o uso invoca a loucura e a insanidade. Esse poder e nome é original da serie Escola Ebon, escrita pelo próprio, e que me foi emprestado e levemente alterado.
    Obrigada, Moonday!

    Sinopse
    "Eu fui pego pela teia da aranha."
    Allam sabia que naquele momento, sua vida havia acabado. Estava ali, a fazer um contrato com um demônio. Ele sabia que ao fazer o contrato, estaria dando sua alma, estaria invocando sua loucura, recebendo tristeza e dor aos seus atos .Mas ele recebeu a visita de algo maior... Muito maior. Algo mais doloroso, e que transformaria sua vida em um inferno.
    O amor por um demônio.

    Capítulo 1

    Spoiler:

    Um dia se a noite o demônio beijar a tua boca, usar o teu corpo, o que farás depois? Voltarás para sentir a dor, dor que rasga a tua carne e devora tua alma, matando teus sentimentos e tirando a tua calma?
    Então te digo que sussurre ao clero, que te dá afeto, que reza por teu nome, que te chama de filho, e que te dá hoje a verdade?
    Pois então saibas que o mundo em que viveis, é sustentado pela mentira... Então perderás tempo buscando a verdade?
    Sabes que risco vai tu correr, de não encontrar aquilo que queres.. Talvez a verdade seja irreal.
    E o nosso natural, seja ser um animal.. Sujeito da mentira, do luxo, da inveja... E da índole insana, de ser um ser que chora quando a luz se apagou..
    E que tal, que você achou? Se acha que é mentira volta para tua cripta fria, onde não há sensação do mundo de tomar.
    Não te vai incomodar, nunca mais vai...

    O Beijo do demônio, Victor Henrique



    8/02/2001


    Meu corpo estava pesado como chumbo, Eu não sentia mais minhas pernas. Eu ainda tinha pernas? Havia... Coisas pontudas enfiadas em meu ventre. Eu não conseguia abrir meus olhos, por causa do sangue que descia de minha cabeça... É o fim?
    - Você é um Magister, você tem o poder dos Magi - aqueles encapuzados repetiam para mim. Amarraram-me e me torturaram por horas. Dias. Talvez meses. Eu não tinha mais noção do tempo. Diziam que eram da Ordem Hermética do Magister, ou algo assim.. E que eu tinha algo que eles queriam.
    Eu iria morrer? Não iria ver novamente a Julia... E nenhuma das pessoas do orfanato?
    Eu não quero morrer. Eu quero voltar para todos. Eu ainda sou jovem. eu quero viver. Eu não pedi esse poder. Eu não pedi nada disso!
    Estava muito escuro, e eu estava quase no fim. A caverna não tinha nenhuma tocha acesa. Devia ser noite. Não havia nenhum barulho, não importa o quanto eu tentasse ouvir. Até que um ruído fino se apresentou. Como se um fio muito frágil fosse esticado. Senti as teias de aranha se enrolando em mim.
    Eu estava delirando? Teias e mais teais, apareciam e abraçaram as paredes e portas da gruta fria. Era impossível ser trabalho de apenas uma aranha.
    Aranha. Surgiu uma enorme em meu ventre. Forcei meus olhos para vislumbrá-la, e notei que não se parecia com qualquer uma que eu já havia visto. Era como uma viúva-negra, mas muito maior, suas garras alcançavam todo meu ventre. Era de um azul escuro e sombrio, e seus olhos enormes eram vermelhos. Eu não tinha forças para me debater ou tentar tirá-la.
    O aracnídeo percorreu todo meu corpo, como se me reconhecesse. Parou com sutileza em meu ombro direito, e sussurrou em meu ouvido.
    -Homem, temes a morte que estás a te esperar, no mais fundo abismo da alma malévola? - a aranha tinha uma voz suave. Não era como se ela falasse em sons; as palavras estavam sendo jogadas dentro de minha mente.
    -Eu apenas quero voltar a todos... Ter uma vida feliz...
    -Impossível és voltar ao teu estado normal, depois de vislumbrar o anormal, - o inseto continuou. - Tu és fraco, e não tens poder algum. És impotente nas mãos armadas de teus próprios irmãos.
    Eu não sabia se era sonho, ou se era realidade. A aranha não pesava nada em meus ombros.
    -Quem são eles? Porque me machucam?
    -Tu és um Magister. Tu tens o dom de se comunicar conosco, e nos fazer contrato. E mais, tu és mais fortes do que quaisquer Magisters que já conheci em minha vida. - a aranha se movimentava em minhas costas. - Mas de nada adiantará, se tua morte for consumada por agora. Precisa de poder. E eu posso te dar.
    -Quem... Quem é você? - o inseto sumiu em uma névoa espessa. A esta altura, estava tudo negro, como se não houvesse paredes, apenas as teias de aranha. Uma rede enorme surgiu em minha frente, e dela, desceu a mesma aranha, dessa vez maior ainda.
    -Sou Loren Goether, o demônio aranha, conde do Inferno, conhecido como o doce servo de Barbária. Reino sobre o mundo da ilusão e da mentira, da luxúria e do desespero, acima da loucura e sanidade. Sou o mais cruel entre minha casta, e tu tens a habilidade de falar comigo. Humano, faças um trato comigo... E irei te tirar deste maldito estado. Você terá força. Você terá riqueza. Você terá teus amigos. Mas tudo tens seu preço.
    Um contrato com um demônio. Lembrei-me das palavras de meus agressores, "você tem o dom de contratar demônios".
    -Qual é o preço? - perguntei interessado. O inseto começou a mudar de forma, como estivesse sendo deformado. O diabo ria de mim.
    -Aqueles que usam meu poder, tem aos poucos a sanidade retirada... A loucura irá eventualmente te visitar, e usarás tua alma a vossa vontade... Terás lapsos de crueldade e aos poucos a loucura lhe dominará. E, no final, quando teus desejos terminarem, irei comer tua alma, e viverás no inferno particular dentro de meu corpo.
    Agora, não tinha mais a forma de uma aranha; e sim de um lindo homem, com cabelos negros a altura de seus ombros, vestia terno com uma gravata vermelha, que combinava com seus olhos. Ele tinha um sorriso doentio.
    -Eu prefiro morrer por mim mesmo, do que ser morto por outros. - O demônio entendeu meu recado, e se aproximou lentamente de mim. - Eu irei te fazer este contrato, demônio.
    Ele sorriu em tom de deboche.
    -Mesmo sabendo como será seu fim? Mesmo adquirindo um relógio que contará a tua vida? Sabendo que tu és meu alimento ao término de teus desejos?
    -Eu não repetirei, diabo. Não é como se eu tivesse muitas escolhas.
    -Humano, qual seria teu nome?
    -Allam von Hunberter, - respondi. O demônio, surpreendentemente, beijou meus lábios. Senti tua língua em minha, e senti prazer. Suas presas perfuraram meus lábios, mas não houve dor.
    -Allam von Hunberter, tu és agora meu mestre, tu és agora o chefe da aranha, tus és agora minha alma prometida! Chame meu nome, e tús serás de minha proteção!
    As palavras fluíram pela minha mente de novo.
    -Sim, Loren Goether! O poder da aranha de Barbária agora é meu!
    Naquela noite, minha vida acabou. Estava jurado de morte por um demônio, e minha alma não era mais minha. eu e o demônio criamos um banho de sangue na caverna que fiquei por dias. Saímos no amanhecer, com todos mortos, com Loren me levando em seu colo.



    10/03/2004


    Eu estava correndo sozinho na escuridão. eu conhecia aquele lugar como a palma de minha mão. Era a casa dos meus pais, na qual eu fui concebido ao mundo e vivi até meus dez anos. Reconheci meu quarto escuro, com as paredes de madeira e nenhuma iluminação sequer. Eu não conseguia respirar pelo nervosismo; o meu "eu" continuava correndo pela morada, mas o outro "eu' sabia como a história iria acabar.
    Tentei gritar para o outro 'eu", de modo que ele parasse. Ele estava sem fôlego, como se seu pulmão não estivesse sendo preenchido por oxigênio. O desespero tomava conta de seus olhos azuis. Eventualmente tropeçava tentando pular os buracos do piso antigo.
    Bateu na porta da mãe; vazia. Lágrimas já escorriam do meu antigo eu. A cena solitária se repetia no quarto do pai. Ele desceu as escadas pulando vários degraus.
    Eu gritei, quase chorando, pelo meu outro eu. Não queria me ver novamente naquela cena... E não queria ver aquele sangue aos meus pés.
    Quando ele chegou até a sala de estar, vislumbrou o corpo de seus progenitores com as faces totalmente desfiguradas. Soltamos juntos o grito de angústia; eu, pela segunda vez.
    -Jovem mestre, o senhor está bem!?
    A voz de meu servo me acordou do pesadelo. Meu pijama estava suado, assim como meus cabelos loiros. Eu estava em um estado lastimável; minhas mãos seguravam meus ouvidos como se protegessem de um ruído muito alto. Eu estava chorando sem perceber.
    - Não foi nada. - tentei me recompor. Loren me olhava com uma falsa preocupação. O demônio segurava um lampião, que iluminava apenas seu rosto pálido em meio a toda escuridão que dominava meu pequeno aposento.
    Sem nenhum aviso, meu demônio pousou a iluminação no criado mudo ao lado de minha cama. Virou meu corpo pacientemente, e abriu os botões em minhas costas, retirando assim meu pijama.
    -Está grande, não é? - eu perguntei. Loren passava as mãos por minhas costas. Eu sabia o que ele apreciava.
    A marca do contrato, um enorme pentagrama com vários símbolos de uma linguagem antiga, repousava em minhas costas. Uma inscrição em latim se revelava enquanto o tempo de meu contrato se esgotava. Sim, aquela marca maldita mostrava-me a realidade. Ela me trazia a loucura a cada noite, a crueldade, a insanidade. Ela me lembrava que minha alma está prometida a um diabo.
    - Sim, essa marca está crescendo cada vez mais. Teus pesadelos serão cada vez mais frequentes. - meu servo ria com seus olhos vermelhos brilhando intensamente.
    Loren era lindo. Lindo de modo que eu nunca poderia imaginar que um ser infernal poderia ser. Sua pele era de um branco fantasmagórico, mas lisa como uma pétala de flor. Era um rosto delicado como de uma boneca de porcelana, que me olhavam sempre com aqueles olhos grandes, vermelhos e sedutores. Seus cabelos negros, finos e lisos, caíam livremente até seus ombros. Tinha porte médio, atlético, talvez um pouco mais alto do que o comum humano.. O demônio sempre ria, não importa o quão inconveniente fosse a situação. Sua voz me acalmava, por algum motivo. Era uma voz doce, aveludada, e que sempre me confortava nas noites em que tinha pesadelos.
    -Mestre Allam, tu és uma figura incomum. De todos os homens que fiz contrato, tu és o único que não fizestes pedidos que visariam apenas teu bem.
    -Eu te ordenei o meu próprio bem. Queria segurança e felicidade a todos desse orfanato.
    -Falo de bens materiais, jovem mestre. Não tem cobiça alguma em teu coração. Não te entendo, o porquê de fazer tal contrato comigo.
    Eu também não sabia muito bem. Foi algo impensado. Se bem que naquela situação, ond eu perdia sangue e estava quase morrendo, qualquer coisa que me desse a salvação seria bem-vinda. Inclusive, um demônio.
    -Isso não te importa, Loren. Apenas seja meu, até o momento de comer minha alma. - o demônio parecia confuso.
    - De fato, serei teu, mestre. Mas uma alma pecadora é mais saborosa do que uma intocada. - ao dizer isso, Loren colocou seus lábios em minhas costas. O movimento de sua língua deslizando sobre minha pele me fez tremer.
    -Então porque não me faz pecar mais?
    Ao som de minha pergunta, Loren se calou. Se aquela conversa fosse levada, eu perderia, com certeza. Isso porque, certamente eu era mais fraco do que o demônio naquele momento. Ah, muito mais fraco.
    Eu amava Loren, e o demônio sabia disso. Nesses três anos que Loren foi meu servo, eu não pude resistir ás palavras de meu escravo, sua obediência ás minhas ordens, seu enpenho em me proteger. Por mais que eu soubesse que o demônio só fosse gentil comigo apenas por causa do contrato, apenas esperando o momento que irá saborear minha alma, eu não pude deixar de gostar de Loren. Ao fazer o contrato achei que minha vida seria um inferno, como eu jamais presencie. Não esperava que eu passasse os dias mais felizes de minha vida.
    Será a insanidade me invadindo?
    - Ora, já são quase duas da manhã, mestre. - Loren se retirou de minhas costas e recuperou o lampião. - É melhor o senhor tentar dormir, por mais perturbador que fosse tal pesadelo.
    -Fique comigo, Loren. - eu estava mostrando novamente meu lado fraco. O demônio suspirou.
    -Mestre, tem adormecido somente em minha presença faz muito tempo. - ele caminhou para a porta. - Não deveria ser tão dependente de mim dessa forma.
    O demônio saiu calmamente, me deixando solitário no quarto.
    Era impossível ler o que Loren pensava. Nunca soube quando ele mentia, ou quando ele falava a verdade. Se ele realmente se importava um pouco comigo... Ou se ele realmente não tinha coração. Quando lágrimas começaram a precipitar pelos meus olhos novamente, me deitei e me cobri totalmente com o cobertor branco.
    Eu já não tinha certeza de nada. Desconfiava até de meus sentimentos, estranhando um amor de um humano por um diabo. Desconfiava de minha sanidade, se ela não me enganava e brincava com minha mente conforme sua vontade, da mesma forma como Loren disse na hora do contrato.
    O fato era: eu desejava aquele homem. Desejava aquelas mãos em meu corpo, aquele lábios nos meus, eu desejava ser mais de Loren do que um simples alimento.
    -Loren von Goether, o demônio aranha, o doce servo de Barbária... - recitei em voz alta. Vislumbrei a figura de uma aranha no teto de meu quarto; elas apareciam com frequência após a chegada do demônio ao orfanato. Loren me explicou que na mitologia, a aranha controla a luxúria, a loucura e a ilusão... A ilusão da teia da aranha, que parece frágil, mas prende seu inimigo, o faz implorar pelo perdão, e por fim devora-o, mas não antes de presenteá-lo com a loucura e desespero...
    Patético. Eu fui completamente capturado pela teia que antes parecia in ofensiva. Com certeza, precisarei implorar pelo perdão.


    - Por quanto tempo você vai ficar dormindo?
    A voz suave e levemente irritante me acordou. Tapei os olhos com minhas mãos, para protegê-los da luz da manhã que entrava pela janela.
    - Já amanhece? - perguntei, ainda sonolento. Julia sorria com a feição alegre, como sempre. Minha melhor, e por muito tempo minha única amiga estava linda hoje. Seus cabelos loiros e compridos foram presos em um rabo de cavalo, e ela usava um vestido azul que caia até a altura dos joelhos. sua roupa era da mesma cor de seus olhos.
    - Ficou conversando com Loren a madrugada toda, não é? - ela acusou. Deveria ter ouvido toda a conversa, afinal, seu quarto fica ao lado do meu. - Você ainda não conhece dormir sozinho, Allam?
    Ignorei o deboche e fui até o armário pegar algumas roupas.
    - Eu apenas tive um pesadelo. E ele veio checar o acontecimento.
    Ela riu e se sentou na minha cama, enquanto eu procurava por algo decente para vestir. Julia não sabia que Loren era um demônio, óbvio, assim como todo o orfanato em que eu vivia. Desde que os proprietários morreram, era para o abrigo ser fechado, mas com ajuda de Loren, eu me tornei o responsável do local, mesmo sendo menor de idade. Loren parecia se dar bem com as outras crianças e adolescentes, mas eu sabia que isso também era só a máscara.
    -Hoje o senhor Adamatti virá novamente, - Julia anunciou repentinamente. - Ele virá pela parte da tarde conversar com você.
    - Ele não se cansa? - eu disse. Dante Adamatti, o bastardo que queria fechar o orfanato e deixar as crianças na rua. Além disso, ele não via com bons olhos um homem adulto e suspeito como Loren sozinho com crianças; bm, não que ele estivesse totalmente errado, mas Loren já foi acusado falsamente várias vezes de abuso sexual e exploração de menores.
    -De fato, ele não estará desistindo, até que me mande para a cadeira e faça mendigos os aqui abrigado, mestre, - Loren gritou atrás da porta, segundos antes de abrí-la e se revelar. Ele tinha mania de fazer isso. - Eu realizei aquela pesquisa como o senhor me solicitou, mestre.
    Julia, pouco se importando em atrapalhar a conversa, correu e abraçou Loren.
    -Bom dia, tio Loren!
    -Te desejo o mesmo, jovem Julia. - o demônio respondeu com seu costumeiro sorriso nos lábios e olhos cerrados.
    - Qual foi o resultado, Loren? - o lembrei da conversa que importava.
    - Sim, meu mestre, - ele respondeu, se soltando de Julia e pegando algo do bolso do paletó. Revelou um rolo de papel, o qual foi agitado e se abriu em uma tira que devia beirar os dois metros.
    - Roubo, suspeita de assassinato, desvio de verbas, suborno, tráfico de drogas, e mais algumas coisinhas que constam no pequeno currículo secreto do senhor Adamatti. De fato, apesar dele ser um oficial, é um sujeito corrupto.
    Julia ficou boquiaberta com a notícia. Para mim, não era espanto algum.
    -Quando pesquisou isso?! - Julia perguntou. A questão fez o demônio sorrir ainda mais.
    -Ontem a tarde, o mestre havia me solicitado isto. Certo, mestre?
    Eu o ignorei. Recolhi algumas roupas e me dirigi ao banheiro.
    Perfeito, como se eu não tivesse problemas o suficiente. Me vesti rapidamente e me preparei para o que haveria hoje de tarde.

    O orfanato era pequeno e sua estrutura era pobre e antiga. Eu nunca pensei em usar do meu contrato com Loren para conseguir dinheiro; não me parecia justo.
    Me dirigi ao lado de fora da construção, onde Julia se dividia entre lavar a roupa e brincar com algumas crianças. Nós éramos os mais velhos dali; eu com dezessete, e ela sendo um ano mais velha, cuidávamos das crianças de dez anos ou menos. Bem, tínhamos a ajuda do Loren, mas eu não confiava crianças tão pequenas nas mãos de um demônio.
    -Mestre, aconteceu algo? - como sempre, Loren surgiu do nada, me assustando profundamente. - Teu rosto demonstra preocupação.
    -Eu acabarei com isso hoje, - respondi. - Ele não vai mais perturbar essas crianças inocentes.
    O demônio me encarava silenciosamente. Eu conhecia aquela expressão.
    -Loren, você está escondendo algo de mim. - acusei. O demônio era bom em fingir. Sua cara despreocupada voltou.
    - Eu não sei sobre o que o senhor fala, mestre.
    -Conte-me o que realmente importa sobre Dante. É uma ordem.
    Os olhos de Loren brilharam fortemente, e eu senti a pontada em minhas costas, como sempre. Eu havia lhe dado uma ordem, ele não poderia recusar ou mentir para mim. Mas cada ordem fazia o pentagrama em minhas costas aumentar; o contrato ficava mais forte, e eu, mais insano.
    -Sim, meu mestre. - ele se ajoelhou, coisa que sempre fazia ao receber uma ordem. - Dante Adamatti tem um contrato com um demônio, e desta forma ele consegue tudo o que quer.
    Eu sabia, tinha certeza que isso cheirava a coisa demoníaca! Era impossível, mesmo para um oficial de classe alta, cometer tantos crimes e sair ileso.
    -E por isso você escondeu enquanto eu conversava com Julia. Fez bem, mas quando pretendia me contar?
    -Quando fôssemos matar o demônio e seu mestre, - Loren disse de modo sinistro, debochando novamente. - Afinal, trata-se de ninguém menos do que Scylla, o demônio da inveja. De fato, é fácil compreender o porquê do senhor Dante ser tão tirano.
    Se aquilo continuasse, haveria um banho de sangue dentro do orfanato.
    -Loren, consegue tirar as crianças daqui antes da vinda do Dante?
    -Claro, meu mestre. Tomarei alguma providência.
    Loren me deixou e foi para algum lugar. Ás vezes eu duvidava de que aquele cara irira fazer um serviço decente.
    Uma hora depois, o orfanato estava vazio. Eu aguardava no "escritório", uma pequena sala onde eu reunia alguns papéis importantes e fazia trabalhos. Desta vez, talvez por estar atento a qualquer barulho, pude notar a presença de meu servo antes do susto que ele sempre me dava. Loren apareceu em sua forma aranha, a mesma que ele me apareceu na ocasião do contrato. Uma enorme aranha semelhante a uma viúva-negra, com vários olhos vermelhos e totalmente macabra.
    -Mestre, retirei todos do orfanato até o anoitecer. O senhor estará livre para fazer aquilo que bem entender. - o demônio e eu fomos atrapalhados pelo barulho de buzina. O bastardo havia chegado. - Quer que eu conduza o senhor Dante até aqui?
    -Claro. - respondi, e o demônio se retirou rapidamente. Uma espada já se encontrava escondida debaixo de minha mesa. Enquanto Loren cuidava do outro demônio eu mesmo me dava o trabalho de degolar Dante. Eu estava costumado a fazer isso. Naquele ponto, eu já sentia meus olhos formigando. Eu sabia que aquilo era o sinal de que eles estavam a mudar do castanho habitual para um verde escuro; sinal de que minha segunda personalidade, a personalidade cruel e assassina, estava me possuindo. Aquilo era um dos efeitos colaterais do contrato.
    -Com a tua licença, mestre. - Loren disse antes de abrir a porta para nosso convidado. Levantei para receber corretamente o senhor Dante.
    -Ora, faz muito tempo que não nos vemos, senhor Allam.
    A figura nojenta de Dante continuava a mesma. Um homem já mostrando siais da idade avançada, gordo, vestido completamente de cinza e com um chapéu que tornava difícil ver seus olhos. Ele acariciava o bigode como de costume.
    -Realmente faz muito tempo, senhor Dante. Por favor, sente-se. - gesticulei para a cadeira em frente a minha mesa. O velho se sentou, e Loren se prontificou ao lado de sua cadeira. - Do que devo a honra de sua visita?
    -O mesmo de sempre, meu jovem. Eu apenas venho anunciar que irei fechar e demolir essa espelunca. - suas palavras saíram de forma rude. - Você sabe, tenho planos para estas terras.
    -O pouco de terras que temos não é o suficiente para seu gosto, senhor Dante. - retruquei. - Elas não irão agradar ao senhor. Não são próprias para o plantio, e esta área é afastada da área urbana. - eu falava sério. O orfanato ficava em uma parte deserta e longe das grandes áreas urbanas de Londres.
    -Peço que entenda, senhor Allam. Mas o fato é que este abrigo não corresponde as rígidas normas de qualidade. - o homem se virou para olhar Loren com deboche. - Isso sem contar que é mantida por um adolescente irresponsável e um homem sem nenhum registro de cidadão.
    Com certeza, meus olhos já estava em um verde brilhante.
    -Não conheço pessoa mais competente do que meu servo Loren. - eu disse. - Ele não é uma figura estranha.
    -Ah, seu servo é um caso a parte. - ele revirou o bolso a procura de um papel, que foi lançado na minha mesa. - Você não precisa ficar calado, Allam. Loren está sendo convocado para o tribunal, onde será julgado por suspeita de exploração sexual infantil.
    -Loren nunca fez nada contra ninguém! - gritei, enquanto meu servo se divertia silenciosamente. Eu já estava cheio daquilo. - Dante Adamatti, você é quem deve pagar pelos seus pecados, por ter vendido a sua alma para um demônio e usá-lo para seu próprio bem e fazer o mal para as outras pessoas!
    Retirei a espada de minha mesa e apontei para a garganta do homem sentado na minha frente. O que me assustou foi o fato dele não parecer surpreso.
    -Eu sabia, - ele respondeu, rindo. - Você também é um contratante, um Magister. Você é o mesmo Allam que escapou de nós anos atrás.
    A Ordem Hermética dos Magisters. Eles ainda existiam? E me procuravam?
    -Então alguns ratos escaparam da detetização. E o que pretende fazer? Me levar de volta e me prender novamente?
    -Certamente, eu o irei. - Dante levantou-se, o que fez Loren tomar posição de luta, já preparado com seus pequenos canivetes. - Com o poder de Scylla, o demônio da inveja e da cobiça, não há nada que eu não possa fazer.
    Da sombra de Dante, uma criatura grotesca começou a se revelar. Uma espécie de cruzamento entre uma cobra e um escorpião, o demônio mantia-se ereto em seu corpo esguio e escuro, seu ferrão balançava sem parar, suas finas escamas brilhavam com a luz. Sua língua era enorme, e quase alcançava o chão.
    -Quanto tempo, Scylla! - Loren disse para o demônio, que já se virava. A voz de Scylla era macabra; soava como uma brisa muita forte, e mesma de onde eu estava era possível sentir o cheiro de lixo proveniente da boca do demônio.
    -Loren... O que está fazendo, brincando com a comida desde aquele tempo? Você é mesmo um idiota. - a cobra declarou. - E é por isso que irá morrer agora.
    -Eu não posso morrer agora, não antes de suprir todas as necessidades de meu mestre.
    Ambos demônios começaram a se confrontar. Scylla se arremessou contra Loren, que o recebeu com uma faca perfurando-o o pescoço. O sangue jorrou da criatura, que soltou um grito de agonia.
    Bem, agora eu tinha coisa mais importantes para fazer. Dante ainda olhava paranóico a luta entre demônios, e me aproveitei disso para rendê-lo. Pulei em cima do homem; ambos caímos no chão. eu estava em cima dele, e em posição pro´picia para a execução. Notando seu fim, Dante começou a suplicar.



    -Posso entrar, jovem mestre? - ouvi a voz de Loren do outro lado da porta. Após deixá-lo em silêncio por um tempo, o próprio adentrou no quarto.
    -Ao menos, você pediu permissão, - debochei. Como sempre, meu demônio segurava um lampião que iluminava de modo magnífico seu belo rosto, que sorria como de costume. Caramba, aquela cara não sabia o quanto ele era lindo?
    -Fez um ótimo trabalho hoje, mestre. - ele disse, sentando-se sem permissão na minha cama. Afastou gentilmente minhas pernas para que houvesse mais espaço. - Estou orgulhoso do senhor.
    -Orgulhoso? Não me faça rir. Um demônio nunca teria orgulho de um demônio. - mostrei a ironia, o que fez ele rir alto.
    -O senhor está ficando mais sábio, mestre. De fato, para os demônios, humanos são apenas um pedaço de carne, inútil e mal cheirosa.
    Uau, essa foi direta.
    -Então está confessando que mentiu agora a pouco?
    -Não. eu realmente tenho orgulho do senhor. Do modo que age mesmo nas crises de dupla personalidade, e como consegue manter a calma mesmo estando tão perto de perder totalmente a noção da realidade.
    O jeito que o demônio falava me dava angústia. Ambos sabíamos que meu tempo estava acabando. Eu sentia meus lapsos de crueldade ficando cada vez mais fortes.
    -Loren, eu... Posso acabar matando Julia da próxima vez. Eu nunca me perdoaria se isso acontecesse.
    -De fato, você nunca seria capaz de machucar Julia. Você a ama, e ela também nutre tais sentimentos por você. - o demônio parecia querer guiar a conversa. Aquilo estava me estressando. Levantei-me para encarar melhor o demônio.
    -Você viu como eu agi. Eu mataria qualquer um que se aproximasse, Loren. - eu sentia a perda da sanidade. - Eu não posso mais me controlar. Você sabe disso. E você também sabe que eu não amo a Julia. Eu amo você, Loren. E eu desejo ter você. - pela primeira vez, o sorriso de Loren foi verdadeiro. Era um sorriso caloroso, que me confortava; não um sorriso frio e falso como o de sempre. O demônio não parecia surpreso com a declaração. Seu rosto parecia uma fusão entre pena e compaixão. - Você sente algo por mim, Loren?
    -Talvez, - a resposta me chocou, e provavelmente Loren se divertiu com minha expressão de surpresa. - Mestre, você é realmente inocente. Bastava apenas o senhor me ordenar. Se tua última ordem fosse, "fique comigo para sempre", eu não teria como recusar.

    -Eu não quero que você fique comigo pelo contrato. Eu quero que você fique comigo por amor. - eu tinha noção da besteira que eu estava dizendo, mas não me importava. Eu sentia o formigamento em meus olhos, e sabia que estava ficando insano. - Eu já me desesperei demais, só de pensar que temos poucos dias para ficar juntos, Loren. Não sabe o quanto é grande meu desespero, só de imaginar ficar sem você por um segundo que fosse.
    -Demônios não podem amar, mestre Allam. - eu tinha a impressão de que Loren quase chorava. - Não importa o quanto eles desejem isso.
    Eu tinha certeza que, naquele momento, o que eu via era os sentimentos verdadeiros de Loren.
    -Então, façamos um trato, - eu disse. - No pouco tempo que me resta... Eu lhe ordeno que me ame. Não importa se for de verdade ou de mentira, ou que você não possa fazer. - ele ouvia atentamente minha proposta. - E você não vai nunca me deixar sozinho.
    -Mesmo quando chegar a hora de comer a tua alma?
    -Mesmo. Eu não quero saber como você vai me saciar, e me tirar o medo de ficar sem você. Mas se nos separarmos, eu não ficarei satisfeito. E se eu não ficar satisfeito... Bem, as cláusulas do contrato são claras. Você não pode comer minha alma.
    O diabo gargalhou tão alto que me perguntei se Julia e os outros não haviam acordado.
    -Mestre, tem vezes que a aranha se perde em tua própria teia, e acaba ficando enrolada nela. - Loren ficou a centímetros de meu rosto. eu conseguia sentir sua respiração quente em mim. - Eu aceito, este subcontrato. Apenas não enlouqueça até o final disso, certo?
    -O final disso é incerto. Diferente do que você disse.
    Sem mais nenhuma palavra, Loren me beijou profundamente. Não um simples beijo como na ocasião do contrato; um verdadeiro, com sentido de me agradar. Um arrepio, semelhante a um choque, percorreu todo meu corpo. Era uma mistura incrível de sensações, a língua de Loren passeava por toda a minha boca, me deixava sem fôlego e louco de prazer e desejo. Quando ele parou, eu estava sem forças até para falar.
    -Vamos, mestre. Me dê as ordens. - ele pediu.
    -Me ame, - eu disse em um baixo tom. - Sacie minha luxúria, servo de Barbária.
    E ele fez.
    Loren me deitou gentilmente, e a última coisa que vi claramente foi os olhos do demônio, iluminados em um vermelho vibrante. Suas mãos passaram por todo o meu corpo, calmamente retirando meu pijama. Loren era paciente, ele fazia as coisas de modo que eu degustasse cada sensação que era nova para mim.. Já despido, meu corpo suava e tremia, meu coração batia acelerado e me faltava o oxigênio; não conseguia suportar a ansiedade e o prazer.
    Atingi rapidamente o ápice do prazer, quando Loren começou a acariciar meu membro mais íntimo, começando com movimentos suaves e tornando-se mais selvagem aos poucos. Eu gemia, gritava, tremia; estava suado e cansado, mas eu queria cada vez mais. Eu não sabia quando teria uma segunda oportunidade de sentir Loren de modo tão íntimo, então certamente eu aproveitaria toda essa noite. De fato, ela seria longa.
    Loren me possuiu completamente naquela noite; eu não liguei para a dor, apenas degustei profundamente cada sensação que o demônio me trazia. Loren me preencheu completamente, e certamente me saciou naquela noite. Porém, o único que ainda não estava satisfeito era ele. O demônio da luxúria com certeza não se satisfez com o pouco que eu pude oferecer a ele. Pude sentir, apesar de tudo, todo o seu prazer e contentamento em cada segundo de nossa noite especial. Pude sentir que ele ficou feliz a cada vez que eu gritava de dor ou prazer, ou os dois juntos. Eu só tive certeza de uma coisa: Loren não em abandonaria, e eu não viveria sem ele.
    Realmente, foi a noite mais longa de todas. E a mais feliz em minha vida.


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    Conto Re: A Doce Teia da Aranha

    Mensagem  capitaoryu em Qui 21 Abr 2011, 16:29

    er...você realmente tem talento!...
    ja né Xau!
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    Conto Re: A Doce Teia da Aranha

    Mensagem  aline letrista em Seg 25 Abr 2011, 13:24

    adorei a história,está de parabéns
    você tem um talento incrível

    até mais
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    Conto Re: A Doce Teia da Aranha

    Mensagem  Super Tifa em Seg 25 Abr 2011, 20:47

    Opa! Ra(in) Sensacional! Fico feliz de ver que "A doce teia da Aranha" era bem mais do que eu esperava. Vejo que você usou de seriedade para escrever o texto, afinal sobre essa temática sempre há um preconceito com os demais. Apesar de não ter passado no concurso Queer, eu posso dizer que esse é um dos melhores que já li!
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    Conto Re: A Doce Teia da Aranha

    Mensagem  RA(in) VampS em Ter 26 Abr 2011, 16:00

    Muito obrigado a todos vocês XD É imensa minha felicidade por agradar tanto assim os leitores de meus escritos.
    Eu acho mais importante e valorizo muito mais do que ganhar um concurso, ter pessoas que gostaram do fundo do coração de minhas histórias. A minha realização, assim como a de todos os verdadeiros "escritores amadores", não é se tornar o próximo autor mais conhecido do mundo ou mais rico que já teve; e sim, divertir, emocionar, enfim, fazer com que as pessoas gostem da história, e proporcionar aos leitores um momento de relaxamento e descontração ;D

    OU SEJA...

    Muito obrigado a todos!

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    Conto Re: A Doce Teia da Aranha

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